3 tarefas motoras que definem habilidades matemáticas?

Minha filha de dois anos é desajeitada (meus genes). Ela anda para um lado enquanto olha para outra direção e coleciona trombadas, arranhões e roxos, diariamente. Fico até preocupada de algum médico vê-la e desconfiar dos meus cuidados. E, agora, tenho mais uma preocupação: tudo leva a crer que ela que ela deve ir mal em matemática…

Um recente estudo norueguês pesquisou habilidades motoras de 450 crianças de 2 anos. Os pesquisadores o modo como as crianças se vestiam, montavam quebra-cabeças, usavam tesouras e andavam pela sala de aula sem trombar nos objetos. Em seguida, dividiram as crianças em grupos de acordo com suas habilidades motoras (bom, ruim e na média).

Cada grupo recebeu “tarefas matemáticas”. Eram crianças de dois anos, então não chegava nem perto das quatro operações. Ao invés disso, foi pedido às crianças que mostrassem nos dedos a sua idade, organizassem objetos em uma caixa, de acordo com cor, forma e tamanho e (meu favorito) desenhar um girino.

Estes pesquisadores identificaram que crianças que tinham boas habilidades motoras eram boas em matemática, as crianças com habilidades motoras intermediárias estavam na média e aquelas com habilidades motoras ruins apresentavam a tendência de “ir mal” em matemática.

“Havia grandes diferenças nas habilidades matemáticas entre as crianças com habilidades motoras mais fortes e mais fracas. A maioria das crianças com habilidades motoras fracas não eram boas em matemática. Não temos como apontar a causa, somente que a competência matemática pode ser percebida nas habilidades motoras”, disse um dos autores do estudo.

Estes resultados são preliminares e estudos mais aprofundados são necessários para entender a relação entre a matemática e as habilidades motoras conforme as crianças vão crescendo.

Entretanto, o estudo serve para destacar a importância do brincar e das atividades físicas para as crianças da Educação Infantil, e do que permanece da formação nessa idade. Também sugere que os professores podem prestar atenção as crianças “estabanadas”, como a minha filha, e olhar mais de perto a qualquer dificuldade de aprendizagem que eles possam ter.

“É importante que os professores de Educação Infantil fiquem atentos a estes resultados. Será mais fácil para eles identificar crianças que possam vir a ter dificuldades em entender a matemática. Esse conhecimento pode garantir que professores e equipe da escola estejam prontos para ajudar e contribuir com a aprendizagem de matemáticas de crianças com este perfil”, disseram os autores.

E você, concorda com a pesquisa? Conhece alguém que se encaixe nesse perfil traçado, ou que seja exatamente o oposto disso?

Adaptado de Marina Gomer, jornalista e mãe. Ela mora com sua família em Sydney, Austrália.