Você vai precisar saber disso no ano que vem…

Tanto para professores quanto para alunos é essencial entender a progressão do ensino da matemática.

Muitas vezes existe uma desconexão para os alunos nas aulas de matemática, mas esta desconexão nem sempre vem a partir do conteúdo que está sendo ensinado naquele momento. Nas séries iniciais, as atividades matemáticas têm referências concretas e, ao longo do ensino fundamental, esses conceitos vão se tornando mais e mais abstratos. Então, em um determinado momento de uma aula do 6º ou 7º ano, os alunos têm pouca lembrança da vivência anterior. Na maioria das vezes eles não conseguiram assimilar o conceito básico que deveriam ter aprendido nas séries iniciais. Parte dessa responsabilidade é nossa enquanto professores, pois de alguma forma não conseguimos ajuda-los a ver o conteúdo matemático como fluído e com desenvolvimento de um ano para outro.

Embora “frações” seja um conteúdo introduzido no “Fundamental 1”, muitas vezes no 6º ano o aluno não tem a menor ideia do que o professor está falando quando coloca um número sobre o outro com uma barra no meio deles. As crianças se acostumaram a “aprender” algo para a prova e, depois, simplesmente esquecer. Precisamos ajudá-los a ver que as ideias em matemática não são “coisas” separadas, mas também não basta dizer “ você vai precisar saber disso no ano que vem…”, pois isso com poderá fazê-los desistir de vez!

Em vez disso, é o nosso trabalho ajudá-los a ver como os diferentes tópicos que aprenderam podem se aprofundar ao longo do tempo. Uma maneira de fazer isso é na avaliação espiralada, sem ficar preso aos problemas já conhecidos ou relembrado aquilo que foi visto no passado.

Comece com parte de uma situação real, algo que a maioria dos alunos vai se sentir familiarizado. Pergunte, por exemplo, quanto tempo levam para ir de suas casas até a escola todos os dias. Pergunte a eles o que faz essa situação ser familiar? Uma vez que os alunos se reconheçam no problema, começarão a falar sobre ele e irão se sentir inseridos na situação.

classroom - handsupVocê provavelmente vai ouvir: “Depende se é a minha mãe ou meu pai quem está dirigindo…” Deixe-os falar, mesmo que a forma de identificação não seja diretamente a resposta para a questão em si. Pamela Harris Weber usa o ditado “A matemática é o poder de descobrir”. Ela incentiva os alunos a começar com algo que eles sabem e trabalhar a partir daí. Isso os ajuda a conectar seu conhecimento prévio com algo que eles estão aprendendo.

Tirar o hábito dos alunos de sempre começar um problema, perguntando: “Qual é a resposta?”. Um excelente recurso para problemas e que ajuda os alunos a desenvolver a matemática que está por trás de um problema é a Lei das Três Perguntas de Dan Meyer. Estas três perguntas levam o aluno a identificar a matemática que está no problema apresentado. Então, ao invés de perguntar “Qual é a resposta?”, os alunos precisam primeiro descobrir: Qual é a pergunta? Qual informação é necessária? E como responder à pergunta?

Adaptado do texto redigido por Elizabeth Masalsky, professora de matemática de 6º a 8º anos em Battery Park City School, em Manhattan. Pós Graduada em matemática pela Brandeis University e Mestrado em Educação Matemática pela Bard College. Elizabeth é uma matemática para America Master Teacher e continua seu desenvolvimento profissional através de oficinas com Math for America, Metamorphosis e Math in the City.